quinta-feira, 12 de abril de 2012

Texto sobre a obra de Leo Brizola

Ana Luiza Neves.

“Nessa hora os homens compreenderão que (...) vivo, porque a minha existência se transmudou em cores e o branco já se aproxima da terra para exclusiva ternura dos meus olhos.”
Murilo Rubião


Se fosse sintetizar aqui, o trabalho apresentado pelo artista Leo Brizola, diria que o que nos apresenta é um ext...rato de um trabalho esplêndido de um artista contemporâneo, onde dividindo e interpolando o tempo, está em condições de transformá-lo e colocá-lo em relação com outros tempos; ler nele a história de maneira inédita e encontrar-se com ela. E ainda assim faltariam as palavras.
A presença do feminino é marcante em seu trabalho. Tratado de maneira forte e delicado, bonito e transgressor, assim como a natureza e a história humana. A aparência de certa angústia diante da realidade, presente nos seus quadros, nos remetem a momentos em que estamos diante de escolhas da vida real. Transmutação de sentimento em arte.
Presenciamos também em sua obra um universo envolvido por análises históricas e mitos com uma pitada de fantasia pessoal e visão interior.
Sua pintura revela um encontro secreto entre o arcaico e o moderno. Entre o que foi e o que a mente projeta. Fruto da criação. As formas e as cores exercem um fascínio – quase como um feitiço – nos envolvendo em uma áurea de mistério.
Não é necessário rotular esse apanhado que veremos aqui, extrato de 30 anos de carreira. A verdade é que as influências são diversas – dos renascentistas a Picasso, Gustav Klimt com toda a escola simbolista, impressionistas e pós-impressionistas – e se misturam com a expressividade característica do artista. A essência que este coloca em seu trabalho, nos leva à ambientes longínquos, inimagináveis...
Pintar é estar perto de si mesmo. É solitário. Ato passível de experimentações ao menor insight ou a maior inspiração. Raciocínio aliado ao desejo. É labor, linguagem e dom. Não é finalidade. É o meio. É caminho, passagem. Encontros. Perdas. Movimentos. Janela que apresenta o real. Em síntese: neo-figuração aliada à narrativa.
Leo, já nos anos 80 participava do efervescente cenário artístico que vivia o ‘retorno à pintura’ e nos mostra que esta técnica milenarmente presente em diversas culturas, não só retornou como veio pra ficar. A tendência fundamentalmente humanística é visível em seu trabalho, que explora as especificidades da existência humana neste planeta. Seus símbolos e sua memória.
Encerro com as palavras de Miguel Gontijo que diz: “A experiência de uma obra de arte pode ser compreendida, sem dúvida, porque é, afinal, uma experiência humana.”
Brindemos a existência.
Ana Luiza Neves
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— com Mariza Trancoso e Leo Brizola.

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