quarta-feira, 25 de abril de 2012

Conversando sobre Arte Entrevistada Lia Mascarenhas Mena Barreto







Lia Mascarenhas Mena Barreto, vive e trabalha no Rio Grande do Sul, mas é nome consagrado da arte contemporânea nacional. Participou das Bienais de Los Angeles, Havana e do MercoSul.

Fale algo sobre sua vida pessoal.
Moro numa casa/atelier a 45 Km do centro de Porto Alegre. Sou casada com o artista plástico Mauro Fuke há 30 anos. Temos uma filha, Lara, de 15 anos. Aqui há pouco barulho, o céu é bem estrelado, os grilos são muitos, as flores noturnas são perfumadas, muitos sapos, terra, mosquitos, agua de poço, lagartos, aranhas, mariposas e luares intensos. Vivem conosco 2 cães e 2 gatos.


Como foi sua formação artística?
Sou autodidata mesmo tendo passado pela Academia e recebido o título de Bacharel em Desenho pela Universidade Federal do RS.

Você teve formação no exterior, como foi a experiência?
Ganhei uma bolsa/concurso q me deu a oportunidade de trabalhar num Atelier, na universidade de Stanford, na Califórnia-USA ao lado de outros estúdios de artistas americanos. Esse prêmio me proporcionou também viajar pelo país e conhecer museus e ateliers de artistas nas cidades de Nova York, Chicago, Los Angeles, Boston, São Francisco...etc

Que artistas influenciam seu pensamento?
Max Ernest, Magritte, Duchamp, os artistas da Pop Art , do Dadá e do Surrealismo. Os escultures Ingleses dos anos 80 ( Tonny Cragg, Richard Deacon, Antony Gormley, Anish Kappor, Alison Wilding e Bill Woodrow)

Como você descreve sua obra?
Desde os anos 80 venho colecionando/ frequentado/trabalhando nos lugares/universos que descubro. Sou uma exploradora em busca de paixões/tesouros. Meu material é romântico, trabalho com magia, medo, memória, monstros, fadas, rainhas e um universo imenso de brinquedos de plástico, meu bordado medieval é fake, minha cabeça de boneca decepada é um vaso engraçado com plantas felizes.

Como você descreve o mercado de arte no RS?
Meu trabalho sempre foi respeitado aqui no sul, mas nunca teve mercado.

Além dos estudos sobre arte que outros estímulos influenciam em seu trabalho?
O nascimento da minha filha, por exemplo, me estimulou a criar um dos trabalhos mais emocionantes da minha vida " O Diário de Uma Boneca" 1998.

Você tem uma rotina de trabalho?
O trabalho Diário de uma boneca exigiu disciplina para criar uma boneca por dia , mais ou menos no mesmo horário, durante um ano e 1/2. Mas geralmente não tenho rotina, trabalho muitas vezes quando me apaixono por uma causa e não consigo parar de pensar e executar aquela idéia até que ela se esgote. Já o trabalho das cabeças com plantas, por ex, começou em 1998 e não se esgotou até hoje, ainda restam resquícios do movimento ( cuido de umas 6 cabeças que estão na minha varanda ). Em 1998, eu cuidava de umas 40 mais ou menos. .

Qual a importância em participar de uma Bienal?
É uma chance que o artista ganha de obter visibilidade, reconhecimento e aceitação no mercado de arte.


 Quais são seus planos para o futuro?
 Dar continuidade às minhas histórias, seguir me surpreendendo/ apaixonando/ enriquecendo.




O que você faz nas horas vagas?
 Caminho pelo centro de Porto Alegre, procuro materiais inusitados nas lojas da rua Pinto Bandeira e Sr. dos Passos , vou sempre no mercado público comprar castanhas e óleo de gergelim, vou ao cinema com meu marido, mimo a minha filha, tomo um café ou almoço com com amigos.






Bonecas/plantas





Boneca/planta





Bordado Barroco



Porcos





Diário de uma boneca, 1998. O diário começou com a decisão de fazer uma boneca por dia. Durou pouco mais de um ano. As semanas de bonecas eram criadas e organizadas no chão do atelier, e um pedaço de esparadrapo era grudado em cada uma sinalizando a data





Diário de uma boneca





Desenho com lagartixas.






Círculo de Ratos.





Bordado Barroco.






















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