quinta-feira, 26 de abril de 2012

Conversando sobre Arte Entrevistado Bruno Vieira



Bruno Vieira é o primeiro  pernambucano a participar de Conversando sobre Arte. Bela entrevista e consistente obra do jovem artista. Ele vive e trabalha em Recife.


Bruno, conte algo sobre sua história pessoal. 
Nasci em Recife. Residi e transitei durante anos nas cidades: João Pessoa, Recife, São Paulo, Belo Horizonte. Adoro o Rio de Janeiro e New York sempre que puder volto para lá.


Como a Arte entrou em sua vida?
Em 1998 visitei pela primeira vez uma Bienal de São Paulo e desde então meu pensamento de voltou a exercer no futuro uma prática profissional direcionada a esse meio.
Sou um artista que trabalha com mídias diversificadas e tenho alguns interesses. O circuito das artes, as redes de coletividade e questões do cotidiano são alguns dos campos de ação da minha produção artística.
Atualmente tenho me voltado a criar trabalhos (intervenções urbanas, fotografias, vídeos, performances, objetos, instalações) de forma que ativem as discussões que delimitei entre campos de atuação: que traduzam o tempo, a citação da história da arte, e das redes e comunicação - das relações travadas no espaço  privado/ urbano/ virtual. Parte considerável da minha produção voltou-se para estruturas de intervenções urbanas cuja estratégia é a de inseri nos espaços públicos, artefatos estranhos aos hábitos entorpecidos pela rotina dos caminhantes. Promovo um debate entre relações entre “o ser e o espaço / o espaço e o ser” e assuntos sociais. Reflito sobre os resultados da aplicação da fotografia em outros meios e suportes não tradicionais e a vertente discursiva dessa ação.

Como foi sua formação artística?
Enquanto cursava o ensino médio paralelamente realizei curso de fotografia e de curso de extensão em desenho, pintura, escultura esses foram oferecidos pelo departamento de teoria da arte da UFPE. Possuo duas formações em licenciatura, Ciências Sociais e Artes Plásticas ambas pela Universidade Federal de Pernambuco.


Que artistas influenciam seu pensamento?
O meio, constantemente influência o homem e o homem influência o meio, e vice versa, é uma relação ambígua. O homem é um ser que busca constantemente a reafirmação de suas necessidades. São muitas as influências, muitos autores, artistas, se fosse relatar a resposta ficará longa demais 


Qual a diferença entre um fotógrafo e um artista/fotógrafo?
O artista/fotógrafo ou a fotografia artística é a arte de fotografar de maneira não convencional, em que não existe uma preocupação única de retratar a realidade, e de criar outras realidades


Foto digital ou com filme?
Tanto faz o importante que ofereça os resultados almejados. Parte desses resultados está sendo exibido através da série de fotografias “Último Respiro”, na exposição coletiva de curadoria de Rejane Cintrão, Caminhos da Fotografia até 30 de julho de 2012 que ocorre no Centro de Exposições da Torre Santander na Av. Juscelino Kubitschek, 2235 - Térreo Vila Olímpia - São Paulo e também puderam ser apreciados no vídeo “A Jangada da Medusapremiado pela Fundação Joaquim Nabuco em 2010 que foi exibido na Galeria do IBEU Copacabana – RJ durante a exposição “E os amigos sinceros também” curada por Bernardo Mosqueira... ambos trabalhos formam um hiato visual, digital verso real









O uso do photoshop engrandece ou diminui o artista?
Vivemos numa época em que a tecnologia é uma ferramenta corriqueira e facilmente requerida pelo alto grau de necessidade da aplicação da ”Teoria da Opinião Pública". Sugiro aos interessados a leitura de dois autores para formulação de uma ideia sobre o tópico
Na publicação Sobre a Liberdade. Petrópolis: Vozes, 1991 de John Stuart Mill que é um dos fomentadores do alvedrio de manifestação em sua época. Da liberdade individual, do direito que cada um tem de proclamar sua opinião, devoção se dará em determinado momento, vida a opinião pública. John R. Zaller no seu livro “The Nature and Origins of Mass Opinion” coloca importantes enfoques no campo das Ciências Sociais dentro dos últimos 20 anos. Seu alfarrábio tornou-se menção imperiosa para os pesquisadores dos campos da Comunicação e Política e dos efeitos da mídia


É possível viver de Arte no Brasil?
Viver, todos vivemos de uma forma ou de outra. Creio que podemos reformular essa pergunta para: É possível sobreviver de arte no Brasil? Diria que em síntese, sobreviver é permanecer vivo, manter-se no limite que nos mantém neste lado onde a materialidade é nossa forma de expressão. Enquanto Viver é manifestar a grandeza de nosso ser, mesmo em alguma medida. Nada nos é mais precioso que usufruir a vida com saúde, paz, alegria, amor e êxito em nossas atividades profissionais.



Como está o desenvolvimento da arte contemporânea em Pernambuco?
Em 28 de julho de 2011 ocorreu o lançamento do livro O Artista Contemporâneo Pernambucano e O Ensino da Arte, organizado pelo professor da Universidade Federal de Pernambuco Sebastião Pedrosa. O livro apresenta aspectos da obra de trinta e três artistas pernambucanos em uma abordagem voltada para professores escolares. Vale salientar que muito da produção, do pensamento contemporâneo desenvolvido esta contido nas linhas por diversos autores e artistas localizam experiências que divergem em variados estilos, aspectos e axiomas.
Há um fomento e um misto de ações que ocorrem no B Cúbico, cursos, debates e exposições que ocorrem na Galeria Vicente do Rego Monteiro da Fundação Joaquim Nabuco, nas três galerias de arte contemporânea (Mariana Moura, Amparo 60, Dumaresq) e algumas mostras no Centro Cultural dos Correios, no Santander Cultural e na Sala Recife atualmente são as opções. O Mamam atravessa uma fase nebulosa (nunca se sabe o que vai ocorrer, não provoca um bem estar) de falta de incentivos financeiros municipais que está o levando só exibir exposições documentais ou financiadas pela iniciativa privada.




Qual a importância dos Salões de Arte?
Gerir recursos para artistas apresentarem uma obra já produzida, adquirir experiência, fazer circular recortes de uma produção nacional através de publicação e acrescentar mais uma linha ao currículo.
Quanto mais os incentivos financeiros que um salão de arte ou concurso possui, mais se acredita que estes possam dar uma aura de miss ao artista. A síndrome de miss é acreditar que por sua obra está sendo exibida parte do circuito artístico vai notar a sua pré-existência.
Atualmente existem vários concursos financiados por instituições bancarias entre outras no qual, temos total desconhecimento do paradeiro de vários artistas que participaram no decorrer do tempo. Não são salões que tem importância, mas a atitude e postura do artista diante dele e da vida. Há diversas maneiras de travar, vincular e distribuir sua produção, seja artista, pense e desenvolva uma:
Entre 2002/ 2003 através de uma ação pensada para a internet, distribuir via e-mail (span) a série “Desaparecidos / Missing” constituída de cartazes com fotografias de pessoas de costas, número de telefone e o primeiro nome de cada um. Pablo, Auguste, José, Mira, Anita, Iberê. Para quem não fizer a conexão imediata com a história da arte, o número para informações finaliza de dar o recado.
Outro trabalho, “Nossa Senhora dos Artistas” é uma obra em forma de santinhos que são lançados e distribuídos. A obra não é encontrada em galerias para venda, o que destruiria sua proposta, da circulação e dispersa no corpo social o pretexto fictício, tomado com humor de empréstimo da religiosidade popular, questiono assim, os modos de produção, circulação e agenciamento na arte; Concluindo com dois últimos exemplos, vou citar uma obra, Isto é uma Obra” que apresento na exposição Iconografias do Simulacro Casa de Tijolo na Rua Fradique Coutinho, 1786 - Vila Madalena - SP com a Curadoria Audrey Prendergast  na qual, realizo um trocadilho do quadro “Traição das Imagens”, de René Magritte. Empregando um código da vida urbana (as placas que anunciam “Obras a tantos metros”) crio assim, uma invisibilidade da obra, ou melhor, ela não é identificada a primeira vista. Na performance Sinphonia Barroca, que esta sendo apresentada na exposição BARRO.OCO no Sesc Caruaru até 25 de maio de 2012 com curadoria de Carlos Mélo em que, organizo um concerto barroco juntando blocos sonoros moveis até formar efetivamente uma “orquestra” regida por maestro. Essa é composta por carrinhos populares, esses que vendem CDs nas ruas das cidades brasileiras. A orquestra trata de um concerto de músicas de Johann Sebastian Bach











      Quais são seus planos futuros?
Em curto prazo: estudar e trabalhar muito, produzir fotografias para o projeto Post Mortem Photo premiado pelo 48º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco e apresentá-las numa exposição antes do final do ano de 2012 seguindo o cronograma do concurso.
Em médio prazo: plantar várias árvores, adquirir rigorosa disciplina e refletir sobre minha produção para poder escrever um livro, comprar uma casa/ studio, ter um filho (a).
Em longo prazo: conhecer o Taj Mahal, Dubai, Tunísia, as pirâmides, as muralhas da China, fazer a caminhada de Santiago de Compostela e ir à Índia para ter o prazer de falar atchá ou atchatchatcha expressão que traduz muita satisfação.


O que faz nas horas livres?
Realizo e travo amizades, visito exposições, lugares, porém, sempre retorno antes da 0h, pode ser que o veículo que me conduz torne-se abóbora. Pesquiso, tento ler, adquirir conhecimentos em todas as áreas, quando morrer é a única coisa que vou levar comigo. Dizem que o defunto não leva nem os óculos então, mãos a obra.



Vídeo A Jangada de Medusa.





Sinfonia Barroca. Performance.





Série Isto é uma obra.





Série Isto é uma obra






O último suspiro  sapo.






O último respiro golfinho.






Série O último respiro. Santander.




Desaparecidos Missing.







Nossa Senhora dos artistas.






Livro recomendado.





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Maurizio Cattelan

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