terça-feira, 10 de abril de 2012

Conversando sobre Arte Entrevistado Renan Cepeda










Renan conte algo sobre sua vida pessoal. 
Sou carioca de Santa Teresa, nasci logo depois da enchente de 1966 que alagou a cidade em geral e arrasou com o bairro. Sou filho de uma professora e um analista de mercado. Estudei em escolas públicas e particul ares, sou formado em mecânica industrial pelo CEFET e sou fotógrafo autodidata.
Como foi sua formação artística?
Minha maior paixão é a música. Nasci e cresci ouvindo de João Gilberto e Quarteto em Cy cantando sambas a Swingle Singers e Hubert Laws tocando Bach. Mas nunca tive muita disciplina para estudar um instrumento, além disso meus pais preferiam que eu tivesse uma carreira “normal”. Hoje toco violão, guitarra e percussão que aprendi praticando, mas apenas para me divertir com amigos e no carnaval quando assumo direção da bateria do bloco das Carmelitas. Na fotografia comecei porque meu pai era fotógrafo amador, com laboratório em casa, mas ele só gastava dinheiro com fotografia, era um hobbie. Desde cedo fui me familiarizando com um modo diferente de fotografar e com a mística do la b oratório em preto e branco. Com 11 anos de idade meu pai me presenteou com uma Olympus Trip 35, quando comecei a fotografar de Kodak Plus-x, 125 ASA. Mas logo ele parou de fornecer filmes porque eu fotografava de tudo e acabou ficando um brinquedo caro. Minha escola de fotografia foi a experiência no fotojornalismo do Jornal do Brasil entre 1988 e 1993. Ali, muitas vezes no mesmo dia, fotografava uma chacina, um desfile de moda e um jogo no Maracanã.

Que artistas influenciam seu pensamento?
O livro é o melhor amigo do homem. Quando alguém tem tempo para refletir profundamente e escrever um romance ou sobre um assunto, sempre acrescenta algo no pensamento de que o lê. Tive sorte de ter os pais que tenho e alguns amigos deles e meus que encontro pela linha do tempo. São anônimos e influenciaram não só a mim mas a todos que os conhecer am.


Como você descreve sua obra? E qual seu tema predileto?
Sempre quis ser um artista que tivesse caligrafia própria, a ponto das pessoas reconhecerem de quem é a obra em sua frente, como se reconhece a um Miró sem nunca tê-lo visto. Isso é muito difícil de se conseguir com fotografia, pois há a apropriação de imagens que se podem ver a olho nú, formas que não são criação de uma mente. Também não me interessa a arte que reproduz o que já foi feito ou descoberto. Um artista de verdade tem esta responsabilidade de oferecer ao mundo algo inpensado, inédito. Não me interessava ser mais um fotógrafo na face da Terra e quase larguei a fotografia com a crise do fotojornalismo na virada do milênio. Andei fazendo vídeos institucionais e a flertar com o cinema, até que dei a última chan ce para a fotografia de arte montando um exposição individual na galeria Anita Schwartz em 2002. Eram paisagens cariocas em infravermelho e foi muito bem sucedida. Daí tive mais confiança em meus projetos e logo desenvolvi as séries de fotografia noturna.


Quando você é fotógrafo e quando é artista?
Se sou um artista é porque, antes, sou um fotógrafo.


De que maneira o fotojornalismo influenciou seu trabalho?Minha escola, como dito acima. Gosto da fotografia “pura”, sem manipulações. Puro olhar e construção de luz, escrita com luz, foto-grafia. Esse compromisso com a verdade, mesmo que relativa, é influência do fotojornalismo. Mas ho je est ou afastado das redações e junto a mim o tipo de imagem que faço. A técnica, a rapidez para fotografar, a percepção do que há de interessante ao meu redor, habilidades desenvolvidas nos jornais e revistas, isso sim levarei sempre comigo.



Você tem várias exposições e prêmios no exteror, lá a fotografia é mais valorizada do que no Brasil?
Até pouco tempo já foi mais valorizada no exterior, mas estamos chegando junto. Há visivelmente um interesse sincero em fotografia no Brasil a ponto de existirem galerias, festivais e até feiras só de fotografia, algo inpensável a 20 anos. Mas ocorre que a disciplina fotografia, tal como a conhecíamos, está se misturando a outras técnicas de expressão no mundo contemporâneo. A figura do fotógrafo de arte ficará mais rara, prevejo. Por outro lado a figura do fotojornalista também, pois não demorará muito e o fotógrafo de jornal não fara mais ‘clique” e sim REC...


A afirmação de que o trabalho em papel é inadequado para o clima do Rio é falsa ou verdadeira?
O Rio de Janeiro não é o único lugar úmido do mundo. Quando se compra um carro tem que se dar manutenção. Uma obra de arte é a mesma coisa. As pessoas estão muito mal acostumadas, tudo tem que ser pret a porter, pagar e levar...


Além dos estudos sobre arte que outros estímulos influenciam em seu trabalho?
Se meu desejo me lança, minha saúde o me alcança.
Sou autodidata. Não há especificamente uma influência deste ou outro artista e sim a forma e a coragem com que encararam a possibilidade da transcendência. Não gosto de arte superficial, de trocadilhos visuais. Não gosto de tomar tempo das pessoas e nem que tentem me fazer engolir merda com meus olhos. Portanto são os Clássicos que mantêm meu Norte. Clássico num sentido magno, que pode ser atual, contemporâneo, como Camarón de La Isla, como Tom Jobim, Bobby McFerrin e Pat Metheny na música – Antônio Nóbrega, Denise Stocklos e Pina Bausch no teatro – Robert Mapplethorpe, Basquiat, Miguel Rio Branco e Vik Muniz, entre muitos outros, no visual. Os cacarecos vão sumir na poeira do tempo.


É possível viver de arte no Brasil?
Assim vivo, de 100% da venda dos meus trabalhos em meu ateliê e galerias. Mas se você não tiver um pouco de disciplina com dinheiro, se estrepa...


 Qual a sua opinião sobre o financiamento para produção de arte no Brasil?Financiamento oficial?, estatal? Não tenho opinião formada. Quando começo um projeto, ofereço aos meus colecionadores a compra antecipada das imagens que ainda vou produzir. Assim foi com Knight Paintings, fotografias noturnas dos castelos medievais espanhóis, que montei na galeria Tempo no Rio, trabalho que é finalista no World Photography Award 2012. Se você é um artista que já conquistou um espaço e tem credibilidade é mais fácil atuar desta maneira, mas para um artista em início de carreira eu recomendaria se inscrever nos diversos salões no Brasil como o da Bahia, de Goiás e do Pará, além dos da FUNARTE. Assim se adquire alguma visibilidade entre os curadores e o público.

Quais são seus planos para o futuro?
Extender o projeto Knight Paintings para os castelos da Escócia e fotografar a região do Vale do Jequitinhonha. E montar uma oficina de percussão para a bateria do bloco das Carmelitas.















Sem título





Bailarinos







Família Alejandro.










Albertino











Castillo de Villalonso 1







Pino Manso











Flamengo




Ipanema





Exposição Daqui se vê Renan Cepeda

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