quarta-feira, 4 de abril de 2012

Conversando sobre Arte Entrevistado Eder Roolt







Edder Roolt

Eder, conte um pouco de sua história pessoal 
Nasci em Santo André no dia 09 de abril de 1977 e moro na região ABC desde então. Sou filho de professora e meu pai se aposentou trabalhando em uma montadora de carros. Comecei a trabalhar aos quatorze anos em empresas multinacionais aqui da região. A arte foi se apoderando de mim ou eu dela, não sei (risos!). Percebi que havia algo fora do lugar. Falando assim parece fácil mas não foi, o mundo da artes era um mundo inalcançável, muito distante da minha realidade, e ainda por cima me achava sozinho nesta aventura. Acabei estudando muito porque depois de um tempo como eu não me tornaria um artista (minha previsão falhou) meu objetivo era me tornar colecionador de artes.
Mesmo assim nem pensei em parar apesar de ter cursado engenharia, me matriculei na universidade que possuía um acervo considerável de livros sobre artes e foi estudando engenharia que paralelamente fui aprendendo tudo sobre artes.


 Como foi sua formação artística?
Praticamente autodidata. Desde criança eu desenhava, pintava, recortava, colava e desmontava todas as coisas. Sempre curioso, entre 10 ou 12 anos me interessei muito por uma matéria jornalística falando de um quadro da Tarsila do Amaral que havia sido vendida e decidi entender por que era um valor tão alto.
Aos quatorze anos, li o livro da biografia do Portinari, Manabu Mabe, Sacillotto e nunca mais parei e desde essa época freqüento as bienais de São Paulo sem perder uma edição e outras tantas exposições, sem dizer que a Pinacoteca de São Paulo se tornou minha segunda casa.
Freqüentei cursos de escultura, cerâmica, literatura e fotografia. Autodidata aprendi todas as técnicas de desenho e pintura. Participei e participo de diversos cursos principalmente sobre arte contemporânea e palestras com artistas.


Que artista influenciam seu pensamento?
De modo geral a história da arte tem um peso enorme na minha formação, principalmente os mestres da pintura com os quais me identifico e aprendi muito. Mas quando penso em metodologia de estudos para pintura e cores minha maior influencia foi Kandinsk, sem falar de Tarsila que sem seus trabalhos eu não saberia que rumo as coisas teriam tido, penso que Duchamp me fez entender um mundo de representações e idéias que na época em que eu o estudei me deixou atônico, até chegar em Lygia Clark, Cildo Meireles e Hélio Oiticica com o qual me identifiquei bastante. Outra mudança foi trabalhando como assistente do Hildebrando de Castro com o qual trocamos e discutimos muitas idéias. Por gostar muito de ler penso que sou influenciado pela poesia e literatura depois por musica como Beastie Boys, Joy Division, Pennywise e Chico Science e tantos outros. Penso que misturei tudo quanto é arte e ideias de uma forma não linear e deu no que deu (risos). Hoje em dia, estou mais interessado em artistas como Rudolf Stingel, Marilyn Minter, Dan Colen, Gerhard Richter, Nate Lowman entre outros.


Como você descreve sua obra? E quais são seus temas predileto
Descrevo minhas obras como pinturas figurativas e esculturas. Atualmente estou desenvolvendo e trabalhando numa exposição individual que farei na Galeria Oscar Cruz em agosto. O tema, resumidamente: “A infância”, que é um recurso metafórico que uso para retratar a subjetividade contemporânea na era da infantilização geral e indiscriminada da maturidade, e também o seu reverso, a precocidade e queima de etapas psicológicas e culturais no universo infantil. Estou muito contente com este trabalho, que alem da bela pesquisa envolvida, também me fez aproximar muito da criança dentro de mim e relembrar muitas passagens interessantes da minha infância há muito tempo esquecidas que com a correria do dia a dia eu não teria parado para pensar. Estou me redescobrindo como pessoa e artista. Penso que esse é o maior prêmio que recebi como pintor trabalhando nessa série.


Você tem rotina de trabalho?
Sim, e sou muito metodológico com relação a isso. O trabalho que faço me exige muita disciplina e muitas horas diárias de trabalho e absoluta concentração.

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Você escreve sobre seu trabalho?
Tenho alguns textos no roolt.blogspot.com, meus cadernos particulares e no momento eu e a crítica de arte Juliana Monachesi temos um projeto em que estamos investigando juntos os cânones do realismo, do início do modernismo aos nossos dias com o intuito de refinar as aplicações conceituais da minha habilidade técnica para a pintura hiper-realista. Estamos interessados na pesquisa sobre a produção de artistas contemporâneos que borram os limites entre documentário e ficção e que investigam novas formas de display que reforcem a ambigüidade da obra. Estamos trabalhando para conseguir patrocínio e quem sabe lançarmos um livro.


Morar em Mauá ajuda na elaboração do seu trabalho?
Penso que nem ajuda nem atrapalha, sinto falta de uma boa biblioteca mas quando preciso não deixo de ir ao centro de São Paulo, ainda mais hoje em dia que conectado a internet conseguimos estar em qualquer parte do mundo.


Além dos estudos sobre arte, o que serve de inspiração?
Além da leitura, o que eu mais gosto de fazer é observar, é quase um vício. E quando se está atento até mesmo aos menores detalhes me traz uma satisfação bem bacana. Me inspiro nas  pessoas de bom coração, nas boas ações e superações pessoais, me inspiro no trabalho e tenho como grande inspiração a minha própria família.


O que representa para sua carreira ser representado pela galeria Oscar Cruz?
A galeria Oscar Cruz me abre muitas portas e através deles conheci pessoas sérias que tratam a arte contemporânea com responsabilidade e dedicação.


É possível viver de Arte no Brasil?
Claro que é possível! Começo de carreira é mais complicado financeiramente mas com o passar dos anos se dedicando e trabalhando muito as coisas tendem a melhorarem.


Quais são seus planos para o futuro?
Fazer mais exposições tanto no Brasil como no Exterior e começar a trabalhar em alguns projetos que venho pesquisando há anos mas penso que só agora adquiri conhecimentos e habilidade técnica para resolver algumas questões de execução desse trabalho em especifico. Estou muito curioso como o resultado desse projeto inédito repercutirá, quem sabe até o final de 2012 ou começo de 2013 já tenho alguma coisa pronta.


O que faz nas horas vagas?
Tento conciliar a família, minhas pesquisas, as leituras, e como trabalho muito tempo parado pratico natação e ando de skate.








Óleo sobre tela 30x40 cm






Óleo sobre tela 55x55 cm.





 Óleo sobre tela 55x44 cm.





Brincando com água, 70x100 cm.






Óleo sobre tela 20x30 cm.





Óleo sobre tela 55x42 cm.

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Maurizio Cattelan

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