terça-feira, 17 de abril de 2012

Bienal de São Paulo, 2012. A iminencia das poéticas


Sob o título A iminência das poéticas, a 30ª Bienal de São Paulo tem como centro curatorial os temas da multiplicidade, transicionalidade, recorrência e permanente mutabilidade das poéticas artísticas. Por poéticas entende-se o repertório instrumental que permite que um indivíduo, uma coletividade, um campo disciplinar ou uma tradição estabeleça, de forma intuitiva, intencional ou inconsciente, as estratégias ou plataformas discursivas que tornam possíveis atos expressivos de caráter artístico.

A iminência representa, como traduz o curador Luis Pérez-Oramas, “o que está a ponto de acontecer, a palavra na ponta da língua, o silêncio imprevisto que antecede a decisão de falar ou de não falar, a arte como estratégia discursiva e a poética em sua pluralidade e multiplicidade”.

Procurando instaurar-se como uma plataforma de encontro para a diversidade das poéticas, o instrumento de trabalho fundamental na 30ª Bienal será a ideia de Constelação – e seu leitmotiv a noção de articulação. Mais do que uma Bienal de obras individuais e de artistas singulares, a 30ª Bienal pretende ser um evento capaz de produzir constelações de obras e artistas que conversam entre si: uma base para que essas relações sejam dispositivos eficazes de renovação e de produção de sentido e significação.

Componentes expositivos
Tomando como base conceitual o entendimento de que as poéticas sobrepõem-se, desagregam-se, assimilam-se, parasitam-se e condensam-se, a 30ª Bienal - A iminência das poéticas define-se por quatro zonas curatoriais distintas: Sobrevivências, Alterformas, Derivas, Vozes e, uma zona transversal, Reverso. As zonas atuam como forma de articular, de maneira constelar e polifônica, os artistas e temas que irão compor o quadro geral da mostra.

Sobrevivências
A noção de sobrevivência permite realizar analogias entre a seleção de artistas contemporâneos e obras referenciais, fazendo com que dialoguem em um campo histórico comum. Para a 30ª Bienal, a sobrevivência atua fundamentalmente através da inscrição de formas e práticas constituídas em âmbitos de vida e de temporalidades distantes no tempo e/ou no espaço, tornando possível a transição entre elas e a experiência humana do presente.

Alterformas
Uma segunda zona curatorial complementa as questões conceituais propostas em Sobrevivências e norteia a seleção de artistas e práticas mais contemporâneas. Esta zona será trabalhada a partir da pista oferecida pela manifestação de alterformas ou deformações – isto é, a interpretação de obras como lugares da “transformação seletiva”, que, consciente ou inconscientemente, voluntária ou involuntariamente, os artistas realizam dentro do campo instituído em suas próprias práticas.

Um segmento a ser desenhado dentro de Alterformas consistirá em traçar o estado atual das releituras deformantes da modernidade na América Latina. Outro segmento deverá ser instituído a partir de uma interrogação sobre “o estado dos meios artísticos”: os sobejos da pintura, gravura, poesia, teoria, cinema, literatura, teatro e fotografia em um tempo caracterizado pelo monopólio da imagem como meio e arte-meio.

Derivas
A ideia de deriva configura-se como uma noção-chave dentro do quadro conceitual da 30ª Bienal de São Paulo. Conjugado com Sobrevivências e Alterformas, a curadoria parte de certas derivações da modernidade encarnadas, sobretudo, nos artistas referenciais presentes na mostra e propõe um conjunto de formas alteradas, restos, deformações, nas quais a residualidade dos meios, sua hibridez e sua marginalidade possam ser entendidos como desvio, como deriva das formas, das linguagens e das imagens, tanto no campo da arte como na constelação de novos espaços que as tecnologias da informação e a digitalização tornam possíveis.

Vozes
Considerada uma zona entre zonas dentro do quadro conceitual da 30ª Bienal, Vozes manifesta-se explicitamente através de obras em que a voz prevalece em suas vinculações com a dimensão performativa da arte e com o material fônico – som, rádio, música etc. Pretende levantar interrogações acerca das maneiras pelas quais se dão as relações entre poéticas visuais e poéticas discursivas ou verbais atualmente.

Pensando a voz como matéria plástica e artística em todas suas vertentes e possibilidades, Vozes atravessa Sobrevivências, Alterformas e Derivas e deverá configurar-se como a principal extensão da mostra na cidade de São Paulo. 

Esta zona curatorial estabelece uma ponte entre a noção de voz e as mais variadas dimensões performativas da arte contemporânea e permite pensar e organizar um momento participativo dos espectadores (ou interlocutores) por meio da ativação de dispositivos de diálogo presentes na mostra ou nas plataformas virtuais da Bienal.

Reverso
Tratada conceitualmente como uma zona transversal aos componentes expositivos da mostra, Reverso é uma espécie de plataforma nômade que abraça, desde sua elaboração, todos os elementos curatoriais do projeto da 30ª Bienal de São Paulo - A iminência das poéticas e os estende para a cidade. São intervenções urbanas, mostras em parceria com outras instituições da cidade de São Paulo, exibições de filmes, apresentações teatrais e musicais encomendadas a artistas locais e/ou internacionais. Instaurando-se como uma forma de estender e potencializar o evento realizado no pavilhão localizado no Parque Ibirapuera, Reverso pretende constituir-se como uma possibilidade de desenvolver um diálogo aberto entre a 30ª Bienal, o público, as instituições e os demais agentes culturais e sociais atuantes na cidade. Farão parte desta rede a Casa Modernista, a Capela do Morumbi, a Casa do Bandeirante e outras instituições.

Encontros
Pensado como um ciclo de seminários capaz de possibilitar ao grande público o contato com renomados artistas e intelectuais da atualidade, A iminência das poéticas propõe realizar um debate sobre o presente da atividade artística por meio de uma série de encontros em que a própria Bienal e os aspectos gerais de seus conteúdos se ofereçam como centro de discussão. O ciclo se dará sob a forma uma série simpósios realizados ao longo de 2012 na cidade de São Paulo; e um encontro de caráter poético/teórico, a ser organizado em duas ocasiões diferentes (fora e dentro do Brasil), como um diálogo transterritorial e transpoético entre duas cidades, Ciudad Abierta, Valparaíso, no Chile, e a cidade de São Paulo, no Brasil.

Educativo Bienal na 30ª
Com curadoria educacional de Stela Barbieri, as ações do Educativo Bienal para a 30ª edição estão sendo elaboradas desde 2011 em parceria com a curadoria geral da exposição. Em janeiro deste ano, iniciaram-se os Encontros de Formação em Arte Contemporânea para professores, educadores sociais, jornalistas e público em geral, dando início à interlocução com os conceitos, artistas e obras da exposição A iminência das poéticas.

Um novo material educativo está sendo produzido, com tiragem prevista de 15 mil exemplares e distribuição gratuita. A publicação é elaborada pela equipe do Educativo em colaboração com a curadoria da mostra e a equipe de Comunicação da Bienal. Esse é o terceiro material produzido por esta curadoria educacional. O curso a distância para professores de arte do Estado de São Paulo, Tão Perto Tão Longe, também está em sua terceira edição e estará no ar a partir de setembro.

Outra ação de destaque é o curso para educadores da Bienal, estagiários que atenderão o público durante a mostra. Com início em maio de 2012, o curso dará continuidade à formação de 150 estudantes universitários, muitos dos quais já vêm trabalhando com este Educativo desde 2010. Alguns educadores, agora formados, se tornarão supervisores ou educadores profissionais. O Educativo Bienal tem por princípio a formação continuada em todos os níveis de sua equipe.

Dando continuidade a suas ações, após a abertura da exposição, o Educativo é responsável pelas visitas orientadas para grupos agendados e público espontâneo, ateliês, programação paralela, que inclui palestras e seminários, performances, exibição de filmes e eventos especiais para famílias.

O Educativo tem a preocupação de promover encontros com os mais variados públicos, atendendo a especificidade de cada um. Um programa para grupos de terceira idade, o +60, e ações para pessoas com deficiência, como as visitas em LIBRAS.

Lista de artistas participantes

1. Absalon, Israel
2. Alair Gomes, Brasil
3. Alberto Bitar, Brasil
4. PPPP (Productos Peruanos Para Pensar), Peru
5. Alejandro Cesarco, Uruguai
6. Alexandre da Cunha, Brasil
7. Alexandre Moreira, Brasil
8. Alfredo Cortina, Venezuela
9. Ali Kazma, Turquia
10. Allan Kaprow, EUA
11. Ambroise Ngaimoko (Studio 3Z), Angola
12. Andreas Eriksson, Suécia
13. Anna Oppermann, Alemanha
14. Arthur Bispo do Rosário, Brasil
15. Athanasios Argianas, Inglaterra/Grécia
16. August Sander, Alemanha
17. Bas Jan Ader, Holanda
18. Benet Rossell, Espanha
19. Bernard Frize, França
20. Bernardo Ortiz, Colômbia
21. Bruno Munari, Itália
22. Cadu, Brasil
23. Charlotte Posenenske, Alemanha
24. Christian Vinck, Venezuela
25. Ciudad Abierta, Chile
26. Daniel Steegmann, Espanha
27. Dave Hullfish Bailey, EUA
28. David Moreno, EUA
29. Edi Hirose, Peru
30. Eduardo Berliner, Brasil
31. Eduardo Gil, Venezuela
32. Eduardo Stupía, Argentina
33. Elaine Reichek, EUA
34. Erica Baum, EUA
35. Fernand Deligny, França
36. Fernanda Gomes, Brasil
37. f.marquespenteado, Brasil/Portugal
38. Fernando Ortega, México
39. Franz Erhard Walther, Alemanha
40. Franz Mon, Alemanha
41. Frédéric Bruly Bouabré, Costa do Marfim
42. Gego, Venezuela
43. Guy Maddin, Canadá
44. Hans Eijkelboom, Holanda
45. Hans-Peter Feldmann, Alemanha
46. Hayley Tompkins, Inglaterra/Escócia
47. Helen Mirra, EUA
48. Hélio Fervenza, Brasil
49. Horst Ademeit, Alemanha
50. Hreinn Fridfinnsson, Islândia/Holanda
51. Hugo Canoilas, Portugal
52. Ian Hamilton Finlay, Escócia
53. Icaro Zorbar, Colômbia
54. Ilene Segalove, EUA
55. Iñaki Bonillas, México
56. Ivan Argote & Pauline Bastard, Colômbia
57. Jerry Martin, Peru
58. Jiří Kovanda, República Tcheca
59. John Zurier, EUA
60. José Arnaud-Bello, México
61. Juan Iribarren, Venezuela
62. Juan Luis Martínez, Chile
63. Juan Nascimiento & Daniela Lovera, Venezuela
64. Jutta Koether, Alemanha
65. Katja Strunz, Alemanha
66. Kirsten Pieroth, Alemanha
67. Kriwet, Alemanha
68. Leandro Tartaglia, Argentina
69. Lucia Laguna, Brasil
70. Marcelo Coutinho, Brasil
71. Marco Fusinato, Austrália
72. Maryanne Amacher, EUA
73. Mark Morrisroe, EUA
74. Martín Legón, Argentina
75. Meris Angioletti, Itália
76. Michel Aubry, França
77. Mobile Radio, Inglaterra/Alemanha
78. Moris, México
79. Moyra Davey, Canadá
80. Nicolás Paris, Colômbia
81. Nino Cais, Brasil
82. Nydia Negromonte, Brasil
83. Odires Mlaszho, Brasil
84. Olivier Nottellet, França
85. Pablo Accinelli, Argentina
86. Pablo Pijnappel, Brasil/Holanda
87. Patrick Jolley, Irlanda
88. Paulo Vivacqua, Brasil
89. Ricardo Basbaum, Brasil
90. Robert Filliou, França
91. Robert Smithson, EUA
92. Roberto Obregón, Venezuela
93. Rodrigo Braga, Brasil
94. Runo Lagomarsino , Suécia
95. Sandra Vásquez de la Horra, Chile
96. Saul Fletcher, Inglaterra
97. Savvas Christodoulides, Chipre
98. Sergei Tcherepnin with Ei Arakawa, EUA
99. Sheila Hicks, EUA
100. Sigurdur Gudmundsson , Islândia
101. Simone Forti, EUA
102. Sofia Borges, Brasil
103. Tehching Hsieh, Taiwan
104. Thiago Rocha Pitta, Brasil
105. Thomas Sipp, França
106. Tiago Carneiro da Cunha, Brasil
107. Viola Yesiltaç, Alemanha
108. Waldemar Cordeiro, Brasil
109. Xu Bing, China
110. Yuki Kimura, Japão



Fonte: http://www.bienal.org.br

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